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Nova lei muda certificação de armazéns e pode afetar o agro em Primavera do Leste

Lei nº 15.429/2026 torna facultativa a certificação de armazéns no Brasil. Governo mira ampliar investimentos e reduzir déficit de estocagem.

certificação de armazéns
Imagem gerada por IA — certificação de armazéns

PRIMAVERA DO LESTE/MT — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei nº 15.429/2026, que torna facultativa a certificação de unidades armazenadoras de produtos agropecuários no Brasil. A medida muda uma exigência que era aplicada a armazéns no país e pode impactar diretamente produtores e empresas da cadeia do grão, inclusive em regiões como Primavera do Leste.

A partir da nova lei, a certificação deixa de ser obrigatória e passa a ser opcional para empreendimentos que desejem demonstrar, por meio documental, o cumprimento de critérios técnicos e operacionais ligados à armazenagem de produtos agropecuários.

O governo justificou a mudança como forma de estimular novos investimentos. No contexto nacional, o Brasil enfrenta um déficit de armazenagem que afeta a logística do setor e eleva a pressão por mais capacidade de estocagem.

Déficit nacional pressiona o setor

Atualmente, a capacidade brasileira permite armazenar apenas entre 60% e 63% da produção anual de grãos, resultando em um déficit de mais de 130 milhões de toneladas.

Além disso, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, na última década, a produção de grãos cresceu em média 6,72% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,38%. Na prática, a expansão da produção acontece mais rápido do que a infraestrutura para guardar volumes.

Indicador (última década) Taxa média
Produção de grãos 6,72% ao ano
Capacidade de armazenagem 2,38% ao ano
Déficit estimado Superior a 130 milhões de toneladas

Menos custos e menos burocracia

Com a sanção da Lei nº 15.429/2026, a expectativa é de que o custo e a burocracia para parte do setor sejam reduzidos, criando ambiente mais favorável para construção e ampliação de armazéns. A medida também mira o crescimento do setor por meio de regras que deixam a certificação no campo da adesão voluntária.

Outro efeito previsto é o fim da obrigatoriedade de contratar organismos privados credenciados pelo Inmetro para emitir a certificação. Antes, esse procedimento gerava custos adicionais para alguns empreendimentos.

Mesmo com a mudança, os mecanismos de controle sanitário e a fiscalização de produtos agropecuários permanecem sem alteração. Não há mudança, também, nas exigências sanitárias e fitossanitárias exigidas para exportação a mercados internacionais.

Panorama atual de certificação

Hoje, apenas 17,6% dos armazéns brasileiros têm certificação. Ao tornar o processo facultativo, a tendência é que a adesão passe a depender mais do planejamento e das prioridades de cada empresa, sem que todos precisem cumprir a exigência.

Para o produtor, a perspectiva é de maior ritmo na oferta de estruturas de armazenagem ao longo do tempo. Já para empresas do setor, a decisão pode influenciar investimentos e estratégias comerciais ligados à comprovação de critérios técnicos e operacionais.