PRIMAVERA DO LESTE/MT — A Câmara Municipal de Primavera do Leste vota nesta segunda-feira (22) o veto do prefeito Sérgio Machnic ao projeto que permite a Farmácia Municipal aceitar receitas médicas emitidas por profissionais da rede privada e conveniada. A decisão pode mudar a forma como moradores retiram medicamentos custeados pelo município.
O texto aprovado pelos vereadores na tramitação anterior possibilitaria que pacientes atendidos fora do sistema público também tenham acesso aos remédios listados na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME), desde que apresentem prescrição válida.
O que o projeto altera na prática
Hoje, a assistência farmacêutica municipal está vinculada ao atendimento realizado dentro da rede pública de saúde. Isso envolve prescrição, controle e acompanhamento feitos pelos serviços do município.
Com a regra proposta, moradores atendidos por médicos particulares, clínicas privadas ou serviços conveniados passariam a poder apresentar receitas para retirar medicamentos que constem na REMUME.
Prefeitura sustenta impactos na gestão
No veto encaminhado ao Legislativo, o Executivo afirma que a mudança cria efeitos diretos na organização da saúde pública municipal. A administração aponta a necessidade de estrutura para cadastramento, controle, auditoria, rastreabilidade e dispensação dos medicamentos.
A Prefeitura também destaca o impacto financeiro. Como os remédios fornecidos pela Farmácia Municipal são comprados com recursos públicos e planejados com base na demanda da rede pública, a ampliação do acesso por prescrições privadas poderia aumentar os gastos e pressionar estoques.
Debate envolve acesso e capacidade de atendimento
Para a população de Primavera do Leste, a votação do veto tem peso em dois pontos. De um lado, há a proposta de ampliar o acesso a medicamentos para quem precisa de itens da lista municipal, mesmo sem atendimento dentro do SUS local.
De outro, a Prefeitura sustenta que a ampliação pode desorganizar o planejamento da assistência farmacêutica e comprometer o equilíbrio do atendimento de quem já é acompanhado pela rede municipal.
Com isso, a sessão desta segunda-feira interessa a pacientes e famílias que dependem de remédios gratuitos, além de profissionais da saúde e gestores responsáveis pelo abastecimento.
REMUME e regras de dispensação
A REMUME orienta quais medicamentos essenciais são disponibilizados pelo município, com base em critérios como necessidade, protocolos de saúde, orçamento e planejamento das compras públicas. Quando há alteração na forma de acesso, o município precisa avaliar tanto o direito do paciente quanto a capacidade de manter estoque e controlar dispensações.
Se o veto for mantido ou derrubado
Na votação, os vereadores devem definir se mantêm ou derrubam o veto do prefeito Sérgio Machnic. Caso o veto seja mantido, a proposta não passa. Se for derrubado, a Câmara abre caminho para a aplicação da regra que permite uso de receitas da rede privada e conveniada na Farmácia Municipal.
O resultado deve repercutir no dia a dia de quem busca medicamentos na cidade e também no planejamento do abastecimento. A decisão pode estabelecer um novo formato para o acesso aos itens da REMUME, afetando diretamente a forma como a Farmácia Municipal opera e organiza suas entregas.






