PRIMAVERA DO LESTE/MT — A inflação medida pelo IPCA em maio foi de 0,58%, com alta pressionada principalmente pelos alimentos. Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (12) mostram que, apesar da desaceleração frente aos dois meses anteriores, o acumulado em 12 meses atingiu 4,72% e ficou fora do limite de tolerância definido pelo governo.
O resultado indica que o índice perdeu força no mês, mas a soma do período recente segue acima do que a política de metas procura manter. Para as famílias, o avanço continua com maior peso no orçamento quando itens do dia a dia sofrem reajustes.
Meta de inflação e regra de tolerância
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o intervalo aceitável fica entre 1,5% e 4,5%. A inflação é considerada fora do teto quando rompe esse limite por seis meses seguidos.
A última vez em que o acumulado de 12 meses ficou acima do limite havia sido em outubro de 2025, quando marcou 4,68%. Em maio, portanto, o cenário voltou a ultrapassar o patamar permitido.
Maio teve metade da alta puxada por alimentação
O IPCA é calculado a partir do comportamento de nove grupos. O principal responsável pelo avanço em maio foi alimentação e bebidas, que subiu 1,33%. Esse resultado representou impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA do mês, ou seja, metade da inflação registrada em 0,58%.
Entre os itens que mais influenciaram o índice estiveram batata-inglesa (alta de 44,69%, com impacto de 0,09 p.p.), tomate (20,62% e 0,06 p.p.), carnes (1,39% e 0,04 p.p.) e cebola (16,80% e 0,02 p.p.).
| Item | Variação em maio | Impacto no IPCA (p.p.) |
|---|---|---|
| Batata-inglesa | +44,69% | 0,09 |
| Tomate | +20,62% | 0,06 |
| Carnes | +1,39% | 0,04 |
| Cebola | +16,80% | 0,02 |
O mês também marcou o terceiro avanço consecutivo do grupo de alimentos acima de 1%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, alimentação e bebida somou alta de 4,81%. Para maio especificamente, a taxa de 2026 (1,33%) foi a maior desde 2015 (1,37%).
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, apontou que a elevação tem relação com menor oferta de alguns produtos e com custos de frete, além do encarecimento ligado aos fertilizantes, que pode ter sido repassado ao consumidor.
Energia elétrica e combustíveis
Além de alimentos, a habitação também contribuiu de forma relevante. O grupo subiu 1,22% e respondeu por impacto de 0,18% no índice do mês. O principal componente foi a energia elétrica residencial, com alta de 3,67%.
A conta de luz apareceu como o custo individual que mais elevou a inflação em maio, com impacto de 0,15 p.p. A pressão ocorreu com a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Para junho, a bandeira amarela segue em vigor.
No grupo transportes, houve alívio: foi a única categoria com deflação no mês, recuando 0,46%. A queda veio dos combustíveis (-1,95%), com destaque para gasolina (-1,46%), que puxou o IPCA para baixo no mês (impacto de -0,08 p.p.). Etanol caiu 6,20% e óleo diesel recuou 2,34%. Já o gás veicular subiu 5,81% em maio.
Distribuição dos preços e composição do IPCA
O índice de difusão do IBGE, que mede a proporção de itens com alta, mostrou que 65% dos 377 produtos e serviços pesquisados ficaram mais caros em maio. O levantamento considera dois blocos: serviços, com preços mais sensíveis à atividade econômica e à Selic, e preços monitorados, geralmente influenciados por contratos e combustíveis.
Em maio, serviços registraram inflação de 0,40% (totalizando 5,97% em 12 meses), enquanto os monitorados ficaram em 0,43% no mês e 5,85% em 12 meses.
Para moradores de Primavera do Leste e região, o dado reforça como reajustes em alimentos e energia seguem impactando o custo de vida no cotidiano, mesmo quando outras despesas apresentam alívio.
Fonte: Agência Brasil




